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segunda-feira, 27 de outubro de 2008

A crise do capitalismo

O capitalismo neoliberal já começou a apresentar brechas internas muito profundas, com esta recente crise global do sistema financeiro. No início, os governos tentaram minimizar a situação, mas cedo se deram conta de que o descalabro iria avançar muito depressa. Há que ter em conta que o sistema político e todas as mordomias a ele associado depende visceralmente do sistema económico. Por muito que os neoliberais economicistas defendam a teoria de que o Estado não deve - de forma nenhuma! - intervir no natural funcionamento de economia, viu-se agora quão errado eles estavam. Em desespero, os governos neoliberais começaram a interferir na esfera do económico, contradizendo os princípios por que se têm regido. Até o Sócrates alinhou com os grandes.

Como anarquista, a minha linha de acção é o combate ao poder e ao Estado, denunciando os seus erros e falácias e, em última análise, procurando demonstrar a sua inutilidade para a felicidade dos povos, para a plena realização de uma sociedade construída de e pelos cidadãos. Este desmoronar súbito e quase sem aviso do sistema financeiro capitalista pode e deve construir uma esperança para os povos de que nada permanece imutável e de que a Liberdade e a Democracia ainda estão ao alcance do povo.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Nem tudo é o que parece...

Como anarquista, a minha missão é o combate ao poder e ao Estado. Ao mesmo tempo, entendo que devo alertar as consciências para as manobras tétricas que o poder engendra para a sua sobrevivência. Temos estado a assistir a um festival carnavalesco de pré-eleitoralismo, caracterizado pelo embelezamento das mais recentes vitórias que o governo julga ter atingido. O IVA baixa 1%! Sim, meninas e meninas, senhoras e cavalheiros, tudo ao desbarato! Preços nunca vistos!

Contudo, os tenebrosos senhores que estão por detrás do poder, a controlá-lo, a vigiá-lo, vão largando as suas mensagens. O Ernâni Lopes (na foto), ex-ministro das Finanças e sócio-gerente da Sociedade de Avaliação de Empresas e Risco (SaeR) veio esta semana apresentar o relatório trimestral desta sociedade, com aquela sobriedade que só encontramos nos muito ricos e poderosos. Sugiro que leiam esta notícia que publiquei no meu site Contracorrente, a propósito desta questão.

No relatório da SaeR pode-se ler que "não é de esperar uma melhoria da evolução económica" numa altura em que o mundo está em abrandamento e em que continuam a persistir dificuldades estruturais internas. Em 2007, a economia portuguesa cresceu 1,9 por cento e para 2008 o governo prevê uma aceleração para 2,2 por cento, Ora, o ex-ministro das Finanças não acredita na concretização desta previsão e afirma ainda que a forte desaceleração da Espanha está também a penalizar a economia portuguesa e pode vir a penalizar ainda mais. Ferozes recados para o socrático optimismo e também para quem quiser acreditar na beleza do capitalismo.