Mostrar mensagens com a etiqueta Al caponismo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Al caponismo. Mostrar todas as mensagens

sábado, 8 de dezembro de 2007

A telecontagem do governo

No Portugal dos nossos dias vigora uma nova espécie de regime político, caracterizado pela ausência de escrúpulos e de respeito pela lei. Como referi no post anterior, este novo al caponismo dita as suas ordens, ignorando o funcionamento tradicional da democracia representativa. E o que é mais assustador é que o Sócrates e seus capangas, bem assentes numa maioria absoluta, fazem dos cidadãos meros instrumentos da sua vontade. As pessoas, os indivíduos, os cidadãos afinal, deixaram de contar.

Acontece que a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) apresentou uma proposta ao governo, segundo a qual será o consumidor a pagar a utilização dos novos contadores de electricidade, que vão ser alterados. Vão ser seis milhões de contadores que vão ser substituídos por uma espécie de aparelhos digitais, que efectuarão aquilo que passaram a designar por telecontagem. Produtos deste admirável mundo novo. Sugiro que leiam esta notícia que publiquei no meu site Contracorrente sobre este tema.

Claro que está errado. A DECO já se opôs a que fossem os consumidores a pagar esta despesa, que devia ser suportada pela EDP. Na nossa vizinha Espanha, o governo deles deu indicações – imagine-se, tão democráticos! - para que esse custo fosse suportado pelos operadores, o que acho lógico. Afinal, são estes que beneficiam com o novo sistema. Ora, para não chocar o cidadão, o Manuel Pinho, o da Economia, disse que “por agora avançamos só com projectos-piloto”. Todos sabemos o que ele quer dizer. É que, na realidade, vão avançar. À custa do cidadão depauperado.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

O novo al caponismo

Eu não vi, mas contaram-me que durante as intervenções da oposição, no debate sobre o Orçamento para 2008, o Sócrates não parava de atirar risadinhas de um lado para o outro, na bancada do governo. Como se os diversos líderes da oposição estivessem a contar montes de piadas ao hemiciclo, em plena Assembleia da República. Ora, estes distintos senhores – gostemos ou não da sua cor política – estão colocados atrás e por cima da bancada do governo, na tribuna dos oradores, pelo que não podem assistir ao que se passa lá por baixo deles, no sítio do governo. Se assim não fosse, não só eu, como eles, face ao comportamento do Sócrates, irritava-me à séria!

Este, entre tantos outros, é o sinal da arrogância que define o actual governo de Portugal. Estão de papo cheio, na maior, cheios de si, com as costas bem aquecidas com a maioria absoluta parlamentar que lhes faz todas as vontades. O Sócrates e seus escravos governamentais ditam a lei no Far-West português. Uns quantos empresários capitalistas regozijam-se com este paraíso e untam, bem untadas, as mãos de políticos e politiqueiros.

Como anarquista, todo este panorama me deixa perplexo, interdito. Não havendo lei nem ordem, nem Estado, nem governo digno desse nome, poderia dizer que vivemos no reino perfeito da anarquia. Mas... Não nos deixemos enganar: trata-se de um sistema muito bem organizado, com regras muito bem definidas e com um poder muito bem estruturado. Muito perigoso. É preciso ir decifrando atentamente as regras de conduta deste novíssimo al caponismo, para saber enfrentá-lo com as armas correctas. Os tempos da democracia representativa já lá vão.