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quinta-feira, 21 de agosto de 2008

De regresso ferozmente neoliberal

Nas palavras do Francisco Louçã, "o primeiro-ministro voltou de férias e escolheu, no primeiro dia do último ano do seu mandato, falar de desemprego e prometeu que agora sim, o seu governo quer resolver o problema, está empenhado, até tem uma solução". Sugiro que leiam esta notícia que publiquei no Contracorrente, retirada do jornal Publico.pt, para mais pormenores. E então, pergunto eu, que solução é que o Sócrates inventou desta vez para resolver este tão grave problema do desemprego?

O Sócrates foi apresentar o grande projecto da PT, um enorme"call-center" localizado em Santo Tirso, que irá criar 1200 novos postos de trabalho. Só que estes novos trabalhadores serão submetidos ao tristemente conhecido sistema de trabalho precário. Os contratos serão celebrados por uma empresa de trabalho precário da própria PT, que contrata o trabalhador por um prazo certo, sem garantias de carreira.

Já que temos um "governo", seria importante que este governasse de acordo com o que seria lógico esperar dele: a imposição ao mercado de regras. Pelo contrário, aquilo a que continuamos a assistir é a um pacto Estado-empresas, no qual o factor trabalhador ou o factor cidadão foram deliberadamente excluídos. No seu regresso de férias, o Sócrates e o seu governo vêm mais ferozmente neoliberais do que nunca.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Sócrates beneficia pobres empresas

O nosso "amigo do povo", o Sócrates, veio "produzir" - como se diz agora nos media da moda - estas extraordinárias afirmações, perante uma vasta [sic] plateia de 200 empresários, em ralação [sic] às quais não resisto a fazer um pequeno resumo, que aviso desde já, poder chocar os últimos defensores da Democracia e seus ultrapassados princípios, do século passado, completamente fora de moda, como os do anarquismo, entre os quais me incluo...

Pois este não-engenheiro sublinhou, na passada sexta-feira à noitinha - digo isto porque tenho ideia de se ter falado nos "ligeiros atrasos do PM", de cerca de uma hora, mais coisa menos coisa, aos compromissos públicos (garanto que não estou a "boatar", não lhe vá dar o ataque de me processar, que lhe dão logo razão os recursos tribunalícios, e esta também é arriscada...) - sublinhou, repito, o compromisso do governo dele e do PS em continuar a reduzir os custos administrativos das pobres das empresas, especialmente os decorrentes (chique, hã?, à la Sôcrâtes) da relação com o Estado: que eu, pessoalmente, abomino, como sabem os meus amigos e visitantes.

Para mais esclarecimentos, sugiro que leiam esta notícia, no Contracorrente, retirada do jornal Publico.pt. Daqui, julgo eu que ele vai ajudar o patronato a impor-se perante os reivindicativos trabalhadores, que têm a mania que querem emprego e que recusam a revisão do Código do Trabalho, os malandros. Vivaço, não é?

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Sócrates susceptível

Como anarquista que me orgulho de ser, interpreto como uma das minhas missões pôr a nu o podres do poder, para melhor o combater. Este governo do senhor Sócrates - o que queria ser engenheiro, mas não é - está tão cheio de podres, que se torna difícil dar destaque a um sobre o outro. É esta a difícil tarefa deste anarquista que vos escreve.

Mas, comecemos por algum lado. Hoje veio a lume no jornal Publico.pt, que o José Sócrates vai recorrer do acórdão da Relação de Lisboa que o condenou a pagar uma indemnização de 10 mil euros ao jornalista do Público, José António Cerejo. Sugiro que leiam esta notícia que publiquei no Contracorrente sobre esta questão, para mais pormenores.

Já nesse tempo o Sócrates era uma pessoa muito susceptível, tendo enviado uma carta àquele jornal em Março de 2001 - altura em que já era ministro do Ambiente e queria queimar os lixos altamente tóxicos nas cimenteiras - carta essa em que acusava o jornalista de padecer de "delírio, servindo (...) propósitos estranhos à actividade jornalística". No imaginário socrático, o que o jornalista queria era impedi-lo de vir a ser primeiro-ministro, acho eu. Porque o Sócrates, agora em pleno uso de todo o poder - ele é o governo, a maioria absoluta parlamentar - continua a processar quem lhe belisque minimamente a sua, dele, Imagem.

segunda-feira, 31 de março de 2008

A nova face humana do Sócrates

Admirem-se! Espantem-se! Novidade! De cair pró lado! O Sócrates resolveu assumir a sua face humana! Sim, é verdade: a metamorfose ocorreu quando foi assinar contratos com associações sociais do Distrito de Viseu. E, se duvidam, leiam esta notícia que publiquei no meu site Contracorrente sobre esta espantosa transmutação.

Aproveito aqui - ó regozijo anarquista! - para deixar algumas "pérolas cor-de-rosa" da mudança de face do Sócrates.
  • Naquela ocasião que referi acima, o Sócrates assumiu uma governação de "face humana" depois de três anos que apelidou de "muito difíceis", em que teve de "disfarçar estados de alma".
  • E acrescentou: "Um político tem o dever de disfarçar os seus estados de alma e apresentar boa cara e ânimo".
  • Também disse que "nestes três anos tão difíceis não deixámos nunca de dar atenção às políticas sociais".
  • Entre tantos outros elogios à governação "cor-de-rosa"...
É de rebentar a rir! De morrer às gargalhadas! E, ainda por cima, o Sócrates toma-se muito a sério, o Mentiroso. Acho que se tornou anedótico com estas bujardas. Se o espectáculo não fosse tão triste...

quinta-feira, 20 de março de 2008

Por um punhado de amêndoas


Não, não me esqueci das minhas lutas anarquistas. Tive apenas que fazer uma pausa, de tal forma anda irrespirável a atmosfera política deste país. Até dá para perguntar se vale a pena fazer um esforço por "postar" o que quer que seja anti-poder. De tal forma estes políticos que nos couberam em triste sorte se arreigaram aos confortáveis cadeirões do Estado...

O Sócrates, um destes políticos a que me refiro, e que é, nada mais nada menos, do que o marajá desta república de bananas, face a tanta contestação social a que tem assistido nos últimos tempos, decidiu abrir mão de algumas migalhitas para o povo, não vá lá perder as eleições que aí se avizinham. Ele foram os professores, a CGTP, o povo na rua a defender a sua Saúde local, que teve que ceder, paciência... Não é que lhe apetecesse nada, mas o voto a tal obriga.

O mais caricato destas suas "cedências" está na generosa tolerância de ponto que resolveu, qual magnânimo monarca, conceder aos seus Funcionários da Função Pública, nesta Quinta-feira de Páscoa. Afinal, não é tão difícil assim ceder: basta dar ao povo umas quantas amêndoas amargas e este, infinitamente agradecido a tão alta figura do Estado, não fará mais do que o óbvio. Votar nele, pois então?!

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

O novo al caponismo

Eu não vi, mas contaram-me que durante as intervenções da oposição, no debate sobre o Orçamento para 2008, o Sócrates não parava de atirar risadinhas de um lado para o outro, na bancada do governo. Como se os diversos líderes da oposição estivessem a contar montes de piadas ao hemiciclo, em plena Assembleia da República. Ora, estes distintos senhores – gostemos ou não da sua cor política – estão colocados atrás e por cima da bancada do governo, na tribuna dos oradores, pelo que não podem assistir ao que se passa lá por baixo deles, no sítio do governo. Se assim não fosse, não só eu, como eles, face ao comportamento do Sócrates, irritava-me à séria!

Este, entre tantos outros, é o sinal da arrogância que define o actual governo de Portugal. Estão de papo cheio, na maior, cheios de si, com as costas bem aquecidas com a maioria absoluta parlamentar que lhes faz todas as vontades. O Sócrates e seus escravos governamentais ditam a lei no Far-West português. Uns quantos empresários capitalistas regozijam-se com este paraíso e untam, bem untadas, as mãos de políticos e politiqueiros.

Como anarquista, todo este panorama me deixa perplexo, interdito. Não havendo lei nem ordem, nem Estado, nem governo digno desse nome, poderia dizer que vivemos no reino perfeito da anarquia. Mas... Não nos deixemos enganar: trata-se de um sistema muito bem organizado, com regras muito bem definidas e com um poder muito bem estruturado. Muito perigoso. É preciso ir decifrando atentamente as regras de conduta deste novíssimo al caponismo, para saber enfrentá-lo com as armas correctas. Os tempos da democracia representativa já lá vão.

quinta-feira, 3 de maio de 2007

Tu, ó Sócrates, não estás esquecido



Apesar de todo o poder das modernas tecnologias - tão apregoadas como uma espécie de panaceia universal para todos os males de que sofre esta mal globalizada sociedade capitalista em que sobre-vivemos – o computador deste vosso amigo anarquista pifou! Deu-lhe o badagaio. Desmaiou, ou teve um AVC, ou um enfarte do ardeuére, sei lá. Teve que ir para o médico de Informatologia e ficou internado desde o passado 24 de Abril até hoje, pobrezinho.

Tendo em conta que esta máquina de que vos estou a falar conta quatro anos de existência, imaginem o que poderá acontecer ao Plano Tecnológico do Sócrates – bem ampliadinho na fotografia, para não termos dúvidas sobre a pessoa a que me refiro, licenciado ou não (deixem lá isso, pobrezinho do senhor...) – se o dito plano depender de computadores novinhos em folha: ao fim de quatro anos dá-lhes também o badagaio e lá se vai a Microsoft-Educação por água abaixo... A menos que o Portas, o Gates lá das américas, ofereça umas quantas máquinas pr'a compensar.

De qualquer forma, venho aqui dizer-vos que, após estas peripécias terceiro-milenaristas, o anarquista que me prezo de ser continua atento aos erros, falácias e absurdos cometidos pelo senhor da foto e seus amigalhaços do poder. Porque, tanto quanto sei, o país, este nosso Portugal dos Pequeninos, continua tão miserável como estava antes das recentes não-comemorações do 33º aniversário do 25 de Abril. Agora tão longínquo (parece que foi há 50 anos, não é?) e, sobretudo, tão esquecido...