quarta-feira, 21 de novembro de 2007

O novo al caponismo

Eu não vi, mas contaram-me que durante as intervenções da oposição, no debate sobre o Orçamento para 2008, o Sócrates não parava de atirar risadinhas de um lado para o outro, na bancada do governo. Como se os diversos líderes da oposição estivessem a contar montes de piadas ao hemiciclo, em plena Assembleia da República. Ora, estes distintos senhores – gostemos ou não da sua cor política – estão colocados atrás e por cima da bancada do governo, na tribuna dos oradores, pelo que não podem assistir ao que se passa lá por baixo deles, no sítio do governo. Se assim não fosse, não só eu, como eles, face ao comportamento do Sócrates, irritava-me à séria!

Este, entre tantos outros, é o sinal da arrogância que define o actual governo de Portugal. Estão de papo cheio, na maior, cheios de si, com as costas bem aquecidas com a maioria absoluta parlamentar que lhes faz todas as vontades. O Sócrates e seus escravos governamentais ditam a lei no Far-West português. Uns quantos empresários capitalistas regozijam-se com este paraíso e untam, bem untadas, as mãos de políticos e politiqueiros.

Como anarquista, todo este panorama me deixa perplexo, interdito. Não havendo lei nem ordem, nem Estado, nem governo digno desse nome, poderia dizer que vivemos no reino perfeito da anarquia. Mas... Não nos deixemos enganar: trata-se de um sistema muito bem organizado, com regras muito bem definidas e com um poder muito bem estruturado. Muito perigoso. É preciso ir decifrando atentamente as regras de conduta deste novíssimo al caponismo, para saber enfrentá-lo com as armas correctas. Os tempos da democracia representativa já lá vão.

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Todos à pala no Dia B


Milhares de pessoas concentraram-se no dia B no Pavilhão de Portugal no Parque das Nações. Grande parte dos presentes é autor de blogues que, saídos do espaço virtual, ali vieram fazer uma manifestação inédita. Quase todos levaram uma pedra que colocaram sobre uma folha A4 no pavimento da pala do edifício. Cada folha que se foi pousando ao longo do dia, continha uma palavra de ordem dirigida ao poder, assinada com o nome do blog de origem.

Podiam também ser vistas algumas pessoas que, de megafone em punho, discursavam as suas ideias criando um cenário que fazia lembrar o londrino Speakers’ Corner.

Não parece existir nenhuma organização formal por detrás desta iniciativa. Tudo levando a crer que se trata de um movimento espontâneo, gerado pelas sinergias intrínsecas da blogosfera portuguesa. O presente texto terá sido divulgado entre os blogues, criando um efeito pirâmide que terá culminado nesta manifestação. A assinatura de uma petição online e a colocação de selos de adesão nas barras dos blogs terá assegurado a viabilidade e o sucesso da iniciativa.

Divulga este texto e verás no que isto vai dar!

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Um amplo movimento popular


Tendo vindo a analisar a forma como o sistema político e económico actual funciona, cheguei a diversas conclusões, a primeira das quais é a de que o poder é escravo das regras das grandes corporações económicas. Vivemos numa época em que impera o neoliberalismo, uma forma mais selvática de capitalismo, caracterizada por negar qualquer intervenção reguladora do Estado na economia e por valorizar o lucro acima de tudo o resto, desprezando a pessoa humana. É sob este sistema que vivemos, não só em Portugal, como também no resto do planeta.

Angustiante, não é verdade? Não! Como anarquista, luto por uma sociedade diferente, igualitária, e continuo a acreditar firmemente que a mudança é possível. E dou um belo exemplo. Realizou-se ontem a manifestação da CGTP, que juntou, no Parque das Nações, cerca de 200 mil tabalhadores. No final da manifestação, o líder da central sindical, o Carvalho da Silva, afirmou que “pela sua dimensão e pelas suas características, hoje é um dia histórico” e acrescentou que agora “vão ampliar-se as alianças sociais e a luta dos portugueses”. Sugiro que leiam esta notícia que publiquei no meu site Contracorrente sobre este acontecimento.

Este é o caminho para que o sistema possa ser modificado. Juntar as massas em movimentos de contestação populares, independentemente do facto de serem ou não organizados por sindicatos ou centrais sindicais. Não ignoro que estas organizações dependem, de uma ou outra forma, de orientações político-partidárias e que os partidos políticos se aproveitam delas para os seus propósitos pró-sistema. Contudo, estas organizações também podem contribuir para mobilizar as massas, como foi o caso de ontem. O próprio anarquismo teve, há dois séculos, uma dimensão sindical, designada por anarco-sindicalismo. Acredito firmemente que será através de um amplo movimento popular que o sistema poderá, um dia, ruir.

sábado, 13 de outubro de 2007

Os números do poder

Sempre achei um jogo extraordinário, o dos números. Confesso que sempre fui muito mau jogador a esse nível, caso contrário, talvez tivesse já ganho nos casinos, no Totoloto, ou, até – quem sabe? - no Euromilhões! Mas vou fazer como o povo diz, cheio de razão, e tiro o meu cavalinho da chuva a esse respeito. Outros, esses sim, matemáticos de grande renome, bem souberam lidar com os números, como Pascal, honra lhe seja feita, especialmente por não ter sido em proveito próprio.

Contudo, largos anos de democracia familiarizaram os cidadãos com os números, para bem da ilustração de todos. Ora, o poder terá sido dos que mais cedo aprendeu a lidar com os números e a manietá-los muito bem, como ninguém ignora. A manipulá-los para proveito próprio, convencido de poder mais facilmente enganar o Zé Povinho, sempre distraído com a bola e as novelas. Embora eu próprio faça parte do povo que os governos pensam poder enganar facilmente, não deixo também de ser um anarquista atento, que detesta a manipulação, em geral, e a dos números, em particular.

Gostaria, assim, de dar destaque ao facto de o ministro do Trabalho e da Solidadiedade Social, o Vieira da Silva, ter dito que Portugal já tinha começado a inverter a tendência de crescimento do desemprego, ou seja – traduzindo para uma linguagem mais óbvia - que o desemprego estava a diminuir no nosso país. Sugiro que leiam esta notícia que publiquei no meu site Contracorrente sobre esta questão. Ora, estas afirmações do ministro entram em conflito com os últimos dados do Eurostat, referentes a Agosto, que indicam uma subida da taxa de desemprego de 0,8% em Portugal, face ao período homólogo de 2006. Confrontado com esta discrepância, o Vieira da Silva, brilhante na sua argumentação, afirmou que “os balanços são feitos no final do ano”. Tal como o outro que dizia que prognósticos só no final... O que é lamentável é que, aqui, os números são bem reais. Os números do desemprego em Portugal.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Manifestações de rua!


Como anarquista e cidadão deste país declaro-me farto. É tal o nível de corrupção nas esferas do governo e do Estado, que não seriam suficientes rios de tinta do tamanho do Amazonas para denunciar tudo o que o que está errado nesta República das Bananas. Não é que, por enquanto, esteja disposto a abdicar do direito e dever de protestar, mas confesso que, dada a situação, a missão me parece hercúlea.

Por todo o lado surgem vozes isoladas de protesto, sucedem-se escritos de feroz crítica à governação Sócrates - das mais fascizantes a que assistimos desde que o Antigo Regime caiu - e, contudo, eles lá estão, de pedra e cal, urdindo as suas tramas anti-populares, como se não vivessem em regime democrático. Nalguns sítios chama-se a isto máfia, noutros cartel, noutros oligarquia, noutros ainda ditadura. Pelo meu lado, prefiro chamar-lhe autocracia.

Para já, encontro apenas uma solução para travar esta derrocada dos ideais democráticos: ir para a rua manifestar-se. Dispensando centrais sindicais e outras que tais. Organizar, ou fazê-lo apenas espontaneamente, manifestações de rua. Não violentas, bem entendido. Radicais, ferozes. Cheias de gente descontente, de povo revoltado. Enquanto o poder ocupa os seus gabinetes, o povo ocupa a rua, enfrentando as barreiras policiais. É este o caminho actual:

Manifestações de rua!

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

MacCann! MacCann!

Regozijai-vos, ó povo! Venho dar-vos pasto para a má-língua! Esqueçam telenovelas e jogos de futebol! Esqueçam praias, discotecas, amantes, paixonetas, carros, empregos, promoções! Esqueçam todo esse lixo, porque vos vou dar melhor sucata. Depois, não se esqueçam de a pôr no Ecoponto, para lançar no desemprego aquele pessoal que separa o lixo nas fábricas da reciclagem dita ecológica. Perdão, económica!

MacCann! MacCann! Oh, néctar dos deuses! Supremo alimento da alma... Crime, mistério. Estamos a assistir ao maior logro da história dos media, desde a Casa Pia. Só que agora não é pedofilia dos Grandes, dos Senhores do Mundo. É Homicídio! Mataram a criança – não sabemos ainda como – e têm andado a contar-nos histórias da carochinha. Aos poucos, como convém, jornais e televisões vendem o produto MacCann com enorme sucesso. Primeiro, tivemos pena do pobre casal e andámos à procura do infame raptor. Agora, andamos à espera que o infame casal venha de Inglaterra. Para quê? Obviamente, para linchá-lo!

Mais uma vez, a comunicação social – portuguesa e inglesa – cumpre integralmente os seus objectivos: vender produtos consumíveis e descartáveis, para benefício dos seus proprietários e dos detentores do poder. Aos primeiros, oferece-lhes lucro, permitindo-lhes aumentar vendas e angariar clientes para a Publicidade; horas e horas nas têvês, espaço garrafal nos jornais e revistas. Para vender champôs, carros, perfumes, sabonetes, relógios, empréstimos, etc. e tal. Aos segundos, oferece-lhes o prato principal do exercício do poder: alienar as mentes, distraí-las do fundamental. Do facto de que estão no poder para usufruto dos benefícios de estar no poder.

(Publicado originalmente no blog Mentira!, com a data de hoje)

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

O Contracorrente mudou de casa


Caros amigos e visitantes de O Anarquista,

É com um grato prazer que vos venho comunicar que o meu site Contracorrente: Alternativas à Globalização Neoliberal mudou de endereço electrónico. Desde 9 de Fevereiro de 2006 que tem estado alojado nas páginas pessoais gratuitas do Sapo - ao qual agradeço o facto de facultar a qualquer pessoa a criação da sua página pessoal, sem ter de pagar por isso - onde nasceu e foi crescendo.

Como anarquista, luto contra o poder e o Estado, numa atitude independente de partidos e/ou quaisquer outros interesses instalados, como não ignoram certamente. No entanto, além de anarquista, procuro também ser realista. Como diz a sabedoria popular, Roma e Pavia não se fizeram num dia... É por esse facto que estou consciente de quão utópico pode ser a construção de uma sociedade de acordo com as ideias do anarquismo. No entanto, pessoalmente acredito que é possível mudar o statu quo, o establishment, ou seja, falando em bom português, o actual estado das coisas. É para isso que aqui estou!

Em suma, o que quero dizer é que tenho editado o Contracorrente dentro desta mesma postura política. Temos que denunciar o capitalismo dominante e alertar as consciências para o facto de que este sistema neoliberal sob o qual vivemos está a minar todos os valores da democracia e a destruir os direitos dos cidadãos. E isto acontece, não só em Portugal, como também em todo o mundo. A globalização que o capitalismo nos tem imposto não serve, pura e simplesmente, as pessoas e a sua busca da felicidade e da realização pessoal.

A mudança de endereço do Contracorrente para o domínio www.contracorrente.info pretende melhorar as funcionalidades do site e, sobretudo, torná-lo independente de quaisquer regras que lhe queiram impor. É por esta razão que vos convido, desde já, a visitá-lo. Dispõe de uma actualização frequente de notícias nacionais, internacionais e culturais que podem - e devem! - ser comentadas, de um espaço para a apresentação de artigos de fundo, de sondagens sobre temas da actualidade, etc. Também tem um novo fórum, para o debate livre de ideias, e que está lá alojado. Em suma, passem por lá e deixem o vosso contributo. Para a construção de um mundo livre!

terça-feira, 4 de setembro de 2007

O infame tratado

Depois de o poder ter estado de férias, nos destinos exóticos que os seus patrocinadores empresariais lhes oferecem de mão beijada, ei-los de regresso, bronzeados e refrescados para nos impingir as suas típicas golpaças. Sempre a favor do povo, como gostam de dizer, aldrabando descaradamente.

Uma das golpaças que o Sócrates tem em mãos, desde o início do ano, desde que foi feito presidente da União Europeia - que tanto adora e reverencia - é impingir nas costas do povo o célebre "tratado reformador". Já no final do ano passado, a Angela Merkel, chanceler da toda-poderosa Alemanha, tinha cozinhado este tratado com todos os Estados membros da UE, com a ideia fixa de que fosse aprovado nas altas instâncias, sem consulta popular. Claro que, não só ela, como os outros governantes europeus, sabiam que submeter este tratado a referendo popular seria o fiasco total. Ninguém o aceitaria, pura e simplesmente. Aproveito para sugerir que manifestem a vossa opinião na sondagem que lancei no Contracorrente sobre esta questão.

Preparemo-nos, pois, para esta nova ofensiva socrática, exigindo um referendo a este texto infame. Embora o poder esteja convencido do contrário, aqui quem manda é o povo. É preciso é mobilizar-nos, despertarmos do marasmo em que a propaganda socialista se tem empenhado em manter-nos. Como diz a canção, "ir para a rua e gritar"!

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

E o poder assim, tão de férias...




Vivam as férias! A praia, o sol, o descanso. Estar com a família, visitar os lugares mais belos deste nosso Portugal. Poder ir para o interior, para a beira dos rios e dos riachos, conhecer a floresta, comer ao ar livre. Viva! Só que... Parece que nem todos têm férias: há os que as têm repartidas, há os dos contratos precários que – logo por azar! - acabam antes de se poder gozar férias, há os que nem têm contratos nem trabalho, há os que ficam em casa, porque nem dinheiro têm para comer, quanto mais para férias... Enfim, lá vem o desmancha-prazeres do anarquista da esquerda folclórica a estragar o retrato das férias.

Como anarquista, sempre de baterias assestadas ao poder e ao Estado, confesso que me sinto frustrado. Então não é que todo o poder foi de férias? Onde é que estão os governantes? Os deputados? Os juízes? Onde é que está o poder Executivo? O Legislativo? O Judicial? Nem me atrevo a responder... Realmente, confesso que não li nenhuma cláusula constitucional que diga expressamente que “todo o cidadão tem direito a ter férias”. Claro que, nos Direitos, Liberdades e Garantias, este direito às férias há-de estar contemplado. Mais: tem de estar contemplado!

Como não tive férias este ano, porque sou um anarquista desempregado, muitos pensarão que estou aqui a exprimir o meu ressentimento e frustração. Não! Então, até estou de férias todo o ano... O que me admira é que o poder esteja assim, tão de férias. Não lhes nego esse direito, até porque, quando voltam, trazem um bronzeado de fazer inveja a qualquer anarca pelintra. Naturalmente que, dadas algumas tristes experiências recentes com a liberdade de expressão nos blogues, nunca me arriscaria a ter um processo em cima por difamar governantes, deputados, juízes que andaram a “dar o litro” enquanto os outros gozavam o seu direito constitucional às férias. Não, isso não. Nunca!

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Portugal é um país de pobres e de miséria!




Há uma característica generalizada nas sociedades opulentas – ou naquelas que pensam que o são, como a portuguesa – que é o de terem aquilo a que eu chamo impiedosamente os seus “pobrezinhos de estimação”. Assim como quem diz que "sempre houve pobres e sempre haverá". Hipocrisia das hipocrisias! É evidente que, não só como anarquista, mas também como cidadão, condeno este conceito perverso, que mais não faz do que perpetuar a miséria e a pobreza.

Segundo o discurso oficial do governo do senhor Sócrates (designação que me traz um enorme prazer vingativo), Portugal vive no melhor dos mundos possíveis. Ou seja, todos sabemos que vivemos num país pobre, com poucos recursos, pouco dinheiro, etc., mas está-se agora a fazer o que nunca se fez antes. Uma política financeira equilibrada, sem défice público, investimento nas áreas económicas prioritárias, como os campos de golfe e os hotéis de cinco estrelas, criação de infraestruturas a pensar no futuro, como o novo aeroporto da Ota, por exemplo, que permitirá o aumento do fluxo de voos dos ricaços de e para todas as partes do mundo.

Contudo, ninguém ignora que este discurso oficial é mera propaganda, destinada a defender os interesses capitalistas que protegem o poder e o Estado. A realidade é bem outra e refiro aqui o mais importante de tudo. Portugal é um país de pobres! Sugiro que leiam esta notícia que publiquei no meu site Contracorrente sobre esta questão. De acordo com dados recentes, o número de famílias beneficiárias de rendimento social de inserção (RSI) subiu dez mil em três anos. O distrito do Porto ocupa o primeiro lugar em matéria de famílias beneficiárias de RSI: 39.179 famílias, em Junho de 2007. O distrito de Lisboa conta com 29.644 agregados, ocupando o segundo lugar.

Face a esta dura realidade, não será tempo de abandonar a ideia de que sempre houve pobrezinhos e começar realmente a lutar contra ela? Como anarquista convicto e cidadão deste país afirmo conscientemente que Portugal é um país de pobres e de miséria!