sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Um movimento de massas anarquista


Como anarquista convicto, tenho-me dedicado neste blogue à luta permanente contra o poder e o Estado, especialmente no que toca à realidade portuguesa. Contudo, o anarquismo pretende igualmente ser internacionalista e ignora os limites impostos artificialmente pelas fronteiras entre os Estados. Por esse motivo, venho agora dar destaque a um acontecimento internacional da maior importância para a luta anarquista. Num movimento único pela sua dimensão e significado, pelo sexto dia consecutivo, a Grécia foi ontem palco de novos confrontos, no rescaldo da morte de um adolescente de 15 anos pela polícia, no sábado passado. Em Atenas ocorreram confrontos entre jovens e agentes da autoridade, frente à Faculdade de Economia, ocupada pelos estudantes. Para além dos confrontos ocorridos frente à Faculdade, registaram-se igualmente alguns incidentes diante da prisão de Korydallos, em Atenas, a principal do país, e em outros dois bairros da capital grega. Para mais pormenores, sugiro que leiam esta notícia que publiquei no meu site Contracorrente, retirada do jornal Publico.pt.

Como se não bastasse, a agitação grega espalhou-se entretanto até Espanha – a Madrid e a Barcelona – e um um atacante lançou um engenho incendiário, na noite do dia anterior, contra o consulado grego em Moscovo. Em Bordéus, no sudoeste de França, dois carros foram incendiados diante do consulado da Grécia. De acordo com uma fonte policial, 15 estabelecimentos universitários e uma centena de liceus em Atenas e Salónica, a segunda maior cidade grega, estão ocupados desde o início da semana por estudantes e jovens, em sinal de protesto contra a morte do adolescente. A Grécia está, desta forma, mergulhada numa onda de violência urbana sem precedentes desde a restauração da democracia, em 1974.

Não há autoridade ou forma de poder que consiga travar uma onda tão violenta e vasta como esta, utilizando os seus meios tradicionais. Um movimento tão espontâneo como este mergulha definitivamente as suas raízes num descontentamento generalizado das massas populares face ao sistema estabelecido. O porquê e o quando este movimento teve o seu início não é tão importante quanto o seu significado perante a forma de funcionamento das democracias ocidentais. Encurralados em sistemas partidários rígidos, os regimes parlamentares encontram-se de costas voltadas às verdadeiras necessidades do povo que deveriam representar. Um movimento de massas anarquista e libertário de tal amplitude mina, em última análise, a forma como os actuais regimes democráticos neoliberais estão organizados. Elitistas e corruptos.

7 comentários:

  1. Amigo Jorge, parabens pelo teu blog, tuas escritas e ideias, tambem estou nessa, mas vc pode ver que na historia o homem sempre foi chefiado, como podemos ver o Anarquismo nesse sentido? Um abraço.

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  2. Ola
    Tudo Bem?

    Estou a participar num concurso, se quiseres participar passa no blog www.avanessaguerradesafio.blogspot.com
    e deixa a tua mensagem

    Beijos

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  3. se uma revolta dessas se propaga pelo mundo, o medo é o da desordem...mas a desordem já se instaurou, e o anarquismo nada teve que ver com isso...um abraço!

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  4. é o próprio sistema que está a alimentar a instabilidade e as revoltas,,,

    abraço

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  5. "mas vc pode ver que na historia o homem sempre foi chefiado, como podemos ver o Anarquismo nesse sentido?"

    permitindo-me avançar uma resposta a "agencia humanidade" eu diria que há experiências anarquistas suficientes na história para mostrar que o ser humano se dá bem numa relação de horizontalidade, ou seja, sem ser chefiado. as mais conhecidas serão o período da revolução espanhola e o levantamento dos camponeses ucranianos durante a revolução russa.

    mas podemos ir muito mais longe e lembrar os trabalhos de muitos antropólogos modernos que reconstruiram a vivência do homem primitivo como avesso à chefia. povos que ainda hoje subsistem nas suas sociedades de abundância mostram na prática o que pode ser essa vivência. pierre clastres foi um desses antropólogos, além de um estudioso de campo respeitado e reconhecido. na sua obra "a sociedade contra o estado", que aconselho vivamente, faz a explanação dessa ideia de rejeição das chefias como garante da liberdade e autonomia

    o pdf pode ser encontrado neste endereço
    http://fiumeebooks.blogspot.com/

    cumps

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  6. A revolução já começou. Líderes precisam-se. Os anarcas precisam dos anarquistas, caso contrário, daqui uma semana haverá apenas o cheiro da cinza. Não é para isso que se acendem as fogueiras!
    Não haverá partidos com substracto ideológico para responder a este descontentamento, que existam Homens com legitimidade suficiente para enquadrarem os humilhados e ofendidos!
    Um abraço anarquista

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  7. Um espaço aberto para o diálogo e a comunicação, para romper com o
    silêncio, para recuperar nossas vidas.

    isso é o que se pretende após toda essa fumaça...

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