domingo, 28 de dezembro de 2008

Um partido feito de autoritarismo


Como anarquista, procuro estar atento aos sinais que o poder e o Estado dão, em que manifestam a sua própria incongruência. Pretendo, com esta observação, salientar que, apesar de pretender transmitir publicamente uma imagem coesa, o Partido Socialista é composto por múltiplas sensibilidades políticas, a mais evidente das quais é a posição de Manuel Alegre, em diversas ocasiões e de forma muito notória. No entanto, a diversidade de opiniões não se esgota nesta figura histórica. Tornou-se recentemente público que vários dirigentes da esquerda do PS, entre os quais Vera Jardim, Paulo Pedro, Ana Gomes e Maria de Belém Roseira, gostariam de ver assumida por José Sócrates, no próximo congresso do partido, a garantia de que, se for governo após as legislativas de 2009, o PS adoptará medidas fiscais que favoreçam as pessoas mais afectadas pela crise.

De acordo com informações recolhidas pelo jornal Público, a que dei destaque nesta notícia que publiquei no meu site Contracorrente, este grupo de dirigentes do PS, que foram todos apoiantes de Manuel Alegre em 2004 e que estão unidos por laços comuns de pensamento quanto ao papel do PS, que fortaleceram entre si durante a direcção de Ferro Rodrigues, querem que o PS dê um sinal claro de que é um partido de esquerda, que governa à esquerda e que é também um partido moderno. Mas como é isto possível?

O cunho autoritário que o partido do governo tem assumido sob a liderança de José Sócrates dificulta que se tornem públicas posições contrárias à actual governação, mesmo no interior do próprio PS. Neste caso, o excesso de auto-censura imposta pelos actuais dirigentes do partido do poder transforma-se no veneno que vai corroendo a própria maioria absoluta de que são confortavelmente detentores. Sem que existam sinais de abertura a novas correntes de pensamento, novas alternativas, o PS fechar-se-á cada vez mais sobre si próprio, pagando também essa factura perante o eleitorado. Reforçando a sua atitude autoritária e anti-democrática no nosso regime político.

9 comentários:

  1. A unanimidade não é democrática e é própria de ditaduras em que ninguém pode discordar do líder. Mas, na realidade, a diversidade de pontos de vista, apoiada por um bom diálogo, ajuda a analisar de forma mais perfeita os problemas e escolher as melhores soluções para benefício do País.
    Um partido em que todos possam exprimir um pensamento construtivo e depois de chegada a solução daí resultante, todos colaborarem na sua realização mais eficaz, será um grande partido. Mas entre nós, cada um quer defender a sua opinião a todo o custo deixando de colaborar se ela não obtiver vencimento. É o que se passa, neste momento, no PS com o grupo de Manuel Alegre, no PSD com vários barões que elegem e abatem presidentes ao ritmo das estações do ano, com o PSD em que numerosos militantes se retiram por não haver diálogo e procura de consensos, etc.
    Daí que António Barreto aponte o dedo à costela de ditador que Sócrates não consegue ocultar.
    Mas a nossa vocação está actualmente a situar o País entre o 3º e o 4º mundos, o que não nos deixa grandes esperanças.
    Abraço e votos de bom Ano Novo
    João

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  2. Continuação de Festas Felizes, tudo de bom e que 2009 seja sobretudo um ano de paz.

    Beijinhos,
    Ana Martins

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  3. Disse Vera jardim?? O estratega do Sócrates?
    Disse Maria de Belém Roseira? o lobby do BES para a saúde?

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  4. Uma visão do que se deveria passar. Porém, a realidade do momento não o permitirá. Com efeito, se o PS está degenerado, essa mesma degeneração para o globalismo feroz e adopção de princípios muito mais à direita vão açambarcar os eleitores mais à direita e conservarão, simultaneamente, os cegos incondicionais da esquerda, aqueles para quem qualquer rumo ou decisão que o partido tome estão sempre com ele. Daí que o partido não irá pagar a sua factura perante o eleitorado. Pelo menos por enquanto.

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  5. Um partido ou um associação de carreiras?! Uma autênti cagare da carris!
    Para mim PS é post sss criii ptum!!!ptumm!! petardo!
    Um abraço que enquanto de fala de ps e vou ali e venho não tardo.

    Um abraço feito para o nove

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  6. Receio que após a saída de Sócrates, o PS se defronte com o mesmo caos do PSD depois de Cavaco: o estilo de ambos é demasiado semelhante.

    Muitas romãs neste Dia de Reis: as minhas aguardam-te lá em casa.

    Feliz dia.

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  7. Jorge Borges,

    O PS é uma terrível seita diabólica, nas suas várias vertentes.

    Fiz-lhes uma cruz. Estão benzidos com água benta, nunca mais!

    Abraço,
    Zorze

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  8. este PS ou melhor dizendo a facção que no momento a comanda terá a resposta que merece, veremos.

    abraço

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  9. Depois da época de sacudir a água do capote, vem aí da mais profunda demagogia, com piscadela à esquerda e cascas de bananas ao eleitorado de esquerda, tudo com o fito de alcançar novo mandato de maioria absoluta, para depois praticar mais três anos e meio de deriva direitista e social-democratizante. Agora, diz o senhor Sócrates, vai permitir o casamento civil de homossexuais, 12 anos de obrigatoriedade escolar, aliviar a carga fiscal da classe média e pequena burguesia, combater os “offshores”, assegurar a qualificação dos jovens e mais um rol de insânias e demagogia a rodos! Vigilância popular! É preciso desmascará-lo! Não se pode dar a maioria absoluta a tal canalha, que atira com umas migalhas e uns meses de governação à esquerda, para depois desmantelar o Serviço Nacional de Saúde e as conquistas de Abril!

    ABRIL DE NOVO

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